O design dos livros publicados pela Penguin Books

Por Andrei W. Müller, | Categoria: Sem categoria

A editora Penguin Books inovou no design das capas e na definição dos preços de livros. Saiba mais sobre a história da editora.

O design de capa com listras horizontais surpreendentemente simples da Penguin Books feito por Edward Young, então um assistente administrativo de 21 anos, anunciou uma forma inteiramente nova de vender e apresentar livros para o mercado de massa. As capas causaram grande impacto por parecerem novas e modernas, atraindo um novo tipo de consumidor para a compra de livros.

A Penguin foi fundada por Allen Lane e seus irmãos Richard e John em 1935, então diretores da The Bodley Head, que financiaram o empreendimento por conta própria. Os primeiros títulos foram todos reimpressões de livros já existentes, produzidos em tiragens de não menos do que 17.500 cópias para manter o custo baixo (6 centavos, o equivalente a 2 dólares e meio dos dias atuais).

O design – três listras horizontais, a superior e a inferior codificadas por cores como laranja para ficção, verde para crime, azul escuro para biografia, cereja para viagem e aventura, e vermelho para peças de teatro, com uma faixa branca central contendo o nome do autor e o título em preto com a fonte sem serifa Gill Sans – foi uma reação às ilustrações extravagantes típicas da maioria dos livros da época.

Na faixa superior colorida havia uma cartela, ou um “quártico”, com as palavras “Penguin Books” em Bodoni Ultra Bold, enquanto a faixa inferior continha a logo também desenhada por Young. Este visual “clássico” foi em parte derivado da série de livros de 1932 em alemão e inglês da editora Albatross, cuja tipografia simples e codificação por cores foi projetada por Hans Mardersteig. A Penguin também adotou a seção retangular dourada (18.1 x 11.1 cm) – o formato preferido de tipógrafos, editores e designers de livros desde os tempos medievais.

Com pequenas variações, o design de três listras foi usado para as séries principais de ficção por 15 anos. Outras listras foram aplicadas para as séries como Pelican, Shakespeare e Specials, enquanto as impressões como King, Puffin e Classics tiveram designs diferentes.

As listras se tornaram tão simbólicas da empresa que quando Jan Tschichold redesenhou os impressos da Penguin em 1947-9 ele só foi autorizado a renovar a tipografia das séries principais. O design de Young continuou a ser usado até o marketing ditar a inclusão de ilustrações, quando as listras foram recolocadas verticalmente para fornecer um dispositivo de enquadramento.

The Phaidon Archive of Graphic Design ID: F039

A criação da Penguin Books

A Penguin Books atualmente é parte do Penguin Random House, um dos principais grupos editoriais do mundo. No entanto, a ideia da editora surgiu em 1934, quando o jovem editor Allen Lane estava indo a Londres visitar sua amiga Agatha Christie e parou na estação Exeter St Davids.

Ele viu então que os livros vendidos no local eram muito caros e de baixa qualidade, então teve a ideia de vender bons livros a preços acessíveis. No ano seguinte, ele criou a Penguin Books e começou uma revolução nas publicações em brochura que iriam chegar ao mundo todo.

Após 10 meses do lançamento da Penguin Books, 1 milhão de livros foram publicados. Assim, para complementar o preço inclusivo dos livros, Allen Lane lançou a “Penguincubator” em 1937, uma máquina de vendas que oferecia aos leitores uma seleção de livros na estação rodoviária Charing Cross Road, em Londres. A Penguin gerou uma revolução na precificação dos livros e influenciou diversas editoras nos anos seguintes, com grande influência no mercado até os dias atuais.