As calaveras de José Guadalupe Posada

Por Andrei W. Müller, | Categoria: Sem categoria

José Guadalupe Posada foi um desenhista e gravurista que se tornou referência com suas calaveras. Saiba mais sobre a vida e obra deste artista.

As calaveras – tradicionalmente, caveiras ou esqueletos em vestidos contemporâneos com sorrisos maníacos, que bebem, riem, cantam, dançam, andam de bicicleta ou a cavalo, fumam cigarros e cortejam mulheres – eram produzidas para serem vendidas durante as festividades do Dia dos Mortos mexicano (2 de novembro), uma celebração anual da vida quando barreiras entre os mundos são transgredidas e os vivos e os mortos coexistem.

Entre as mais memoráveis e influentes, estão as imagens criadas por José Guadalupe Posada, gravurista e cartunista mexicano que ilustrou poemas, baladas e notícias para “penny press” – jornais produzidos de forma barata e destinados às classes mais baixas, vendidos em feiras e festivais.

Frequentemente considerado um artista simples ou primitivo, Posada na verdade fez o Ensino Técnico, tornando-se um habilidoso desenhista, gravurista e artista comercial, que trabalhava por comissão para editores.

Seus desenhos e ilustrações mais renomados, particularmente as calaveras, foram produzidos para o editor de pequena escala Antonio Vanegas Arroyo na Cidade do México, onde Posada começou a trabalhar no início dos anos 1810. Suas ilustrações de crimes ou eventos contemporâneos e histórias humorísticas sobre fofocas, caracterizadas por imagens sangrentas e sensacionais, comunicavam-se diretamente com leitores quase analfabetos.

Posada morreu não muito tempo após a Revolução Mexicana (1910), e é visto como um artista que captou o espírito e a realidade da sociedade pré-revolucionária do país. Assim como narrava os interesses das pessoas comuns – assassinatos, suicídios, execuções e desastres naturais, junto com receitas e histórias sobre os heróis do dia – seu trabalho revelou profundas divisões sociais que existiam entre os ricos e os pobres. A grotesca imagem da calavera mostrada aqui também destaca a nova mania da bicicleta na Cidade do México em 1890.

Posada recebeu pouca aclamação durante sua vida, mas foi feito uma lenda pela geração posterior de artistas mexicanos, incluindo Diego Rivera, que estava ansioso para rejeitar a arte europeia e espanhola e retomar as tradições artísticas e populares dos autênticos povos mexicanos e pré-colombianos. A influência de Posada pode ser vista posteriormente no trabalho do gravurista político Paul Peter Piech e do designer americano Seymour Chwast.

La Calavera Catrina

Além de suas gravuras originais, Posada costumava fazer releituras de grandes obras com suas calaveras. Dom Quixote e O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, também foram recriados como caveiras e esqueletos. No entanto, sua obra mais conhecida e que marcou a cultura mexicana foi originalmente chamada La Calavera Garbancera, uma caveira com um chapéu usado pelas mulheres da alta sociedade.


The Phaidon Archive of Graphic Design – ID B026

A imagem foi publicada na época da Revolução Mexicana e surgiu como uma crítica aos ricos que seguiam a moda europeia e buscavam se afastar das origens mexicanas. Em 1946, Diego Rivera resgatou a personagem ao pintá-la no centro de seu painel Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central (Sonho de uma tarde dominical na Alameda Central), e a nomeou como La Calavera Catrina.

Na obra, La Catrina está ao lado de Posada e junto a outras figuras históricas mexicanas, como o próprio Rivera, sua esposa Frida Kahlo e outros políticos e artistas importantes, como Francisco I. Madero, Benito Juárez, Sor Juana Inés de la Cruz, Porfirio Díaz, Agustín de Iturbide, entre outros.

Atualmente, a personagem se tornou um símbolo do Dia dos Mortos mexicano e já foi representada por diversos artistas em pinturas, esculturas e desenhos. Ao utilizar de maneira satírica as caveiras e esqueletos para representar a sociedade da época, Posada mostrava como todos são iguais após a morte.