Uma pequena história do Faroeste Italiano

Por Riven Melito, | Categoria: Cinema

Normalmente quando falamos em Western, ou Faroeste, como chamamos em terras tupiniquins, pensamos logo em alguns clássicos, como “No Tempo das Diligências”, “Matar ou Morrer”, “Sete Homens e Um Destino”, e até “Por um Punhado de Dólares”. Mas, opa, espera aí. “Por um Punhado de Dólares” Não é um Faroeste americano, não. A obra que fez Clint Eastwood aparecer para o mundo não foi criada pela mega indústria do cinema americano. O que pode parecer estranho, mas muitos filmes que são considerados clássicos do Western, são também e na verdade Spaguetti Western.

Que? Nome mais louco, Spaguetti Western, não é? Bem, pode parecer estranho, mas este nome veio justamente por estes filmes serem feitos por produtores e diretores italianos, em sua maioria. Na verdade, eram produções bem globalizadas, uma junção de pessoas de diversas nacionalidades, como italianos, espanhóis, alemães e mesmo americanos. Conta-se que entre 1960 e 1980 foram feitos mais de 600 filmes de faroeste italiano. Isso é uma boa quantidade, ein?

fistfulofdollars

 

E qual era toda essa graça por causa de faroestes sendo feitos fora dos States? Bem, não necessariamente fora dos Estados Unidos. Muitos filmes foram gravados no Texas, bem como no México, bem pertinho uns dos outros. Alguns por vezes no sul da Itália. Mas as regiões mexicanas/texanas certamente tinham muito mais a ver. Mas grande parte da fama destas películas se dava pelo fato de serem mais fortes do que as americanas, mais sangrentas e onde em geral o “mocinho” também se dava mal, diferente dos filmes clássicos americanos, onde John Wayne podia acabar sozinho com uma gangue inteira de bandidos sem nem ao menos derrubar uma gota de suor.

Estes, e outros motivos para o sucesso do western italiano vem de um nome: Sergio Leone. O diretor de Por um Punhado… Hoje considerado um dos melhores faroestes da história independente de categoria, este filme, como em geral acontecia, iria ser exibido apenas na Itália, mas acabou por ficar tão interessante que decidiram exibir em outros países, e fez aparecer um atorzinho iniciante, nada menos do que Clint Eastwood. Daí o mundo inteiro quis conhecer mais deste estilo diferenciado. E outros marcos cinematográficos vieram daí, como os dois restantes da trilogia dos dólares, “Por uns Dólares a Mais”, e “Três Homens em Conflito”, o excelente “Django” e “Era Uma Vez no Oeste”, e ainda os cômicos “Meu Nome é Trinity” e “Trinity ainda é meu nome”.sergio leone e clint eastwood

 

Um detalhe interessante no western italiano é o fato de que não se preocupavam muito com história, e diversas vezes simplesmente copiavam enredos de outros filmes por ai. É o caso do próprio Por um Punhado de Dólares, que Leone descaradamente chutou de ninguém menos que Akira Kurosawa, do filme Yojimbo. Inclusive depois do lançamento da película de Leone, o diretor japonês lhe escreveu: “… você fez um bom filme. Pena que é meu.” e na realidade um tempo depois Sergio Leone admitiu o feito e passou os direitos no Japão e uma parte das rendas para Kurosawa.

Se você pensa que tudo de bom no cinema vem dos Estados Unidos, esta pode ser uma ótima forma de quebrar um pouco os paradigmas. Aqui falamos apenas no Sergio Leone e no Clint Eastwood, porém muitos nomes vieram destes 20 anos ou mais de trabalho. Enio Morricone, responsável pelas músicas dos filmes de Leone foi o compositor de uma trilha que assoviamos até hoje, mesmo sem saber de onde veio. Ou por acaso você nunca ouviu isto? Então aproveite e corra atrás, é muito fácil encontrar estes vídeos por aí na internet. bang-bang!

 

 

Riven tem a arte como motivadora, a música como inspiração e o planejamento como instituição. Esta junção dos dois hemisférios do cérebro garantem uma abordagem diferenciada e eficiente na resolução de tarefas e problemas.