Pokémon GO e o romantismo nostálgico

Por Riven Melito, | Categoria: Jogos

O mundo está vivendo uma febre. O novo jogo da empresa Niantic, Pokémon Go, alcança milhões de pessoas ao redor do mundo e provoca uma avalanche de comentários e reclamações sobre como este jogo está transfomando crianças e jovens em zumbis hipnotizados pela telinha do celular. E é isso mesmo? Pode um jogo de celular transformar pessoas em imbecis? Não falaram exatamente a mesma coisa quando inventaram a televisão, a calculadora, a internet, o celular mesmo?

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Se tem uma coisa que a humanidade adora fazer é relembrar. Imaginar como nossa infância era maravilhosa e tudo que é novo estraga a vida das pessoas. Isso é romantizar o passado. Ficar reclamando porque as coisas mudam, quando tudo o que você queria era continuar a ter 13 anos de idade e  não precisar pagar contas e ter responsabilidades. Poder ficar brincando com seus Comandos em Ação ou Falcon, seus Pequenos Poneis e Moranguinhos. Bem, estes também eram considerados brinquedos alienadores naquele tempo onde as crianças ficavam horas vendo desenho.

Mas espere! Elas não fazem isso hoje em dia ainda? Claro que sim, as coisas não mudaram tanto assim. Hoje em dia, ao invés de largar o filho em frente da televisão rodeado de brinquedos enquanto arumma a casa, a mãe larga ele com o Youtube ligado. É a mesma coisa, por mais que haja romantismo. Sabe porquê a comédia  Chaves faz tanto sucesso no Brasil? Porquê as pessoas adoram lembrar de quando assistiam isso aos 10, 12 anos. A mesma coisa com Caverna do Dragão. Somos nostálgicos e pronto.

Mas o Pokémon não é um jogo totalmente novo? Algo revolucionário desenvolvido por entidades do espaço sideral para alienar o ser humano e dominar o planeta? Não, verdadeiramente falando. Nem a pau. Tudo ali já foi desenvolvido a muitos anos e apenas não tinha sido utilizado em conjunto. Pokémons já estão aí a 20 anos (olha o fator nostalgia surtindo efeito de novo), Google Mapas e geolocalização também já tem um tempo que usamos, e essa realidade aumentada foi desenvolvida lá nos anos 80. Até mesmo o sistema da Niantic é o mesmo de um jogo prévio deles, o Ingress. Basicamente tudo que foi feito foi juntar tudo isso em uma coisa só e ganhar milhões de dólares. Beleza, good job!

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E esse tal de Pokémon GO é tão imbecilizante assim? É claro que não. Novamente o romantismo do passado faz as pessoas acharem que qualquer novidade é responsável pela ignorância dos indivíduos. Foi realmente o Marilyn Manson que engendrou o massacre em Columbine? Foi o disco da Xuxa ao contrário que fez Jesus aparecer em uma faita de pão? Ou é a mente fraca de uma ou outra pessoa que causa seus próprios problemas? A culpa é dos Beatles ou do Charles Manson? Mas para ser justo experimentamos este fenômeno. Fazer este post deu todas as desculpas para ficar andando na rua com o telefone na mão e bancando o besta. Mas qual não foi a surpresa quando percebemos que na verdade não é necessário bancar o besta andando pela rua com um celular na mão. Todo mundo faz isso. O que diferencia é a criança que fica com a cara grudada na tela (coisa totalmente desnecessária, porque o jogo tem uma função de vibrar quando aparece algo no seu  radar).

Vamos explicar rapidinho como funciona o PokeGO, pra quem não conhece. Em primeiro lugar, você anda por  aí com seu jogo ligado, e de vez em quando aparecem monstrinhos na sua área de alcance que podem ser capturados com as chamadas pokebolas. Assim você cria uma coleção de bichinhos que podem ser trocados, ter poder aumentado e até evoluir para versões melhoradas deles. No mundo também existem pontos (em geral monumentos e locais de relevância que vieram do banco de dados do Ingress) chamados pokestops, onde se pode adquirir itens que tornam a caçada mais fácil, pokebolas adicionais, etc. Motivos para andar até algum lugar e conhecer alguma coisa que tenha lá, seja uma estátua, praça, igreja ou um beco imundo onde assassinatos podem ocorrer (hahahah, brincadeira, mas tome cuidado por onde anda, tá?). Outros lugares de interesse no jogo são os Ginásios, que sempre são controlados por jogadores de algum time (existem 3 times e todo jogador escolhe para qual quer entrar). Quando se vai a um ginásio é possível colocar seu pokémon para lutar com quem esteja no controle do ponto, e se possível dominá-lo para sua cor.

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Ok, mais ou menos é isso. Só. Não parece bem uma coisa imbecilizante, não é? E obviamente uma montanha de gente pode chegar e dizer “mas isso é tão ridículo! Qual a graça nisso?” E concordamos. Por sinal jogo (e aqui é a minha opinião pessoal, se não concorda o problema não é meu) o mesmo questionamento para quem gosta de novela, de futebol, sertanejo universitário e até facebook. Sempre foi assim, e sempre será. Sempre haverão pessoas que gostam de algo e outras que não gostam. Na real, o grande problema é quando alguém nem ao menos se dispõe a conhecer sobre o que está falando e fica só repetindo frases de ódio e intolerância para inflamar algo que nem devia ser levado tão a sério assim. Pense a respeito.

Riven tem a arte como motivadora, a música como inspiração e o planejamento como instituição. Esta junção dos dois hemisférios do cérebro garantem uma abordagem diferenciada e eficiente na resolução de tarefas e problemas.