Johnny Guitar não é sobre homens e armas

Por Andrei W. Müller, | Categoria: Cinema

O filme estadunidense do gênero western, dirigido por Nicholas Ray, estreou em 1954. Mas não é uma obra para quem busca por mais um faroeste clássico, com disputas masculinas de poder e tiroteios. Em Johnny Guitar, você encontrará algo diferente.

A obra ficou famosa por trazer a atriz Joan Crawford em um papel usualmente reservado a homens. Vienna, é a dona do saloon, um bar com jogos de azar localizado na fronteira do Arizona e é constantemente ameaçada pelos rancheiros locais, que querem tomar sua propriedade para evitar que o progresso chegue através da passagem do caminho-de-ferro que passa pelo terreno.

Um latrocínio acontece em uma diligência próxima, e a vítima é o irmão de uma das rancheiras: Emma, interpretada por Mercedes McCambridge. Os acusados do crime são Dancin’Kid e os membros de seu grupo, que são protegidos pela dona do saloon. Emma, está apaixonada pelo bandido, tem ciúmes dele com Vienna e por isso quer enforcar ambos, acusando-os de participar do assalto.

Emma sorrindo

Em meio a esta confusão e sem muitos aliados, Vienna recruta seu ex-amante, o pistoleiro Johnny Guitar, que já não via há cinco anos, para ajudá-la a manter os rancheiros afastados. Mas essa mulher foge completamente do estereótipo de mocinha convencional, frágil e indefesa que precisa ser protegida, quando um de seus funcionários alega que ela: “Fala como um homem, se veste como um homem, dá ordens como um homem e me faz me sentir menos homem”, demonstrando quão temida e respeitada é a personagem.

Vienna falando sobre homens

A fotografia da película é belíssima, para os amantes de artes é possível notar duas madonas no decorrer do filme, a primeira é uma Monalisa emoldurada em gestalt, na janela do saloon enquanto Vienna conversa com Johnny Guitar.

Vienna, ao estilo Monalisa

A segunda é a Pietá, esboçada quando o bandido mais jovem do grupo de Kid é baleado e Vienna toma-o em seus braços para aplacar a dor de seus ferimentos.

Vienna, ao estilo Pietá

Embora as figuras sejam masculinizadas para representar o poder, o filme ainda é uma obra a frente de seu tempo por conter uma disputa de poderes femininos nada convencional. Emma, consegue fazer o papel de mulher detestável e desesperada para ser amada, enquanto Vienna é forte e invejada.

Briga entre as personagens

Uma curiosidade é que na vida real as atrizes acabaram entrando em uma disputa de ciúmes, onde Joan era a verdadeira vilã, pois sua inveja relativa aos elogios recebidos pelo trabalho realizado por Mercedez no set fez com que ela criasse boatos que atrasaram a carreira da colega por dois anos. O filme completo pode ser assistido no YouTube.