Joel Rea e o espelho surreal

Por Riven Melito, | Categoria: Arte

Na era do Transtorno Obsessivo Compulsivo em que vivemos, a cada dia surgem novos artistas hiper realistas com a promessa de registrar com lápis, tinta ou até caneta Bic um retrato da realidade tão perfeito quanto a própria vida. É a ideologia escultural grega de mil anos atrás nos assombrando em pleno século XXI? Conseguiria Joel Rea subsistir em um ambiente de consumo rápido, como a Concept Art que vimos em posts anteriores?

Tenho ponderado sobre o consumo artístico sem conteúdo dos dias de hoje a algum tempo já. Artistas que apresentam trabalhos feitos a toque-de-caixa que são apenas um amontoado de massas coloridas com um estilo imensamente copiado do próximo cara á direita idolatrado por um séquito de crianças vidradas na tela do computador que não possuem o mínimo conhecimento do que estão vendo (ufff, frase longa. Respire), mas que ficam embasbacados com as explosões e efeitos de photoshop pipocando em suas faces sardentas. Também existem os grandes talentos que trabalharam e estudaram por décadas para aperfeiçoar seu ofício e são reverenciados pelos outros artistas tanto quanto não conseguem ser discernidos do moleque-do-PS pela grande massa. Tem isso também. E, claro, temos também artistas que criam obras de técnicas maravilhosas, que ao final nos confundem: “Era para encontrar alguma mensagem aqui, ou eu poderia apenas ficar olhando embasbacado para a tela, senhor?”, você se pergunta. Veja este exemplo:

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The Promissed Land – quadro completo

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The Promissed Land – detalhe

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The Promissed Land – detalhe

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The Promissed Land – detalhe

 

Um trabalho realmente maravilhoso, não? Quanta técninca, quanta virtuose. Oh my, como ele consegue retratar tantos detalhes, tanta sutileza, uma apreciação pela excelência, o ideal de retratar a perfeição em uma tela com tintas a óleo. Sim, sim, realmente maravilhoso!

Ok. e daí?

Para onde vamos depois disso? É uma obra realmente impressionante, assim como outras do artista, que consegue atingir um nível gráfico tão impressionante em seus trabalhos a ponto de nos deixar sem ar. Tudo bem, mas para onde vamos depois disso? O que Joel Rea quis mostrar nessa imagem? Quais suas intenções nessa imagem? Consigo perceber que na maioria dos seus trabalhos ele retrata a si mesmo, e que há alguma relação entre o selvagem. E inclusive o próprio fala um pouco a respeito no vídeo abaixo, onde ressalta o quanto o belo pode ser selvagem também, e na libertação das amarras corporativas da sociedade (que poético, ein? Meio cliché, mas tudo bem).

Qual seria sua opinião? Ele trabalha tão bem, com tanta qualidade, que esqueceu de colocar uma mensagem mais profunda em seus trabalhos? Ou nunca foi intenção do artista que você tivesse que pensar em mensagens, apenas olhe para a tela e recolha o queixo do chão? Isso é válido? Até que ponto a arte contemporânea está se dirigindo ao comportamento de rebanho ou ao consumo de massa? Hoje me parece que deixo mais perguntas do que respostas. Por favor, conversemos a respeito.

Aproveite para checar também o Instagram do artista, que tem muita coisa interessante.

Joel Rea

Riven tem a arte como motivadora, a música como inspiração e o planejamento como instituição. Esta junção dos dois hemisférios do cérebro garantem uma abordagem diferenciada e eficiente na resolução de tarefas e problemas.