Fotógrafo de guerra, Greg Marinovich ficou conhecido pela cobertura do regime do Apartheid na África do Sul

Por diandra, | Categoria: Fotografia

Ao registrar os conflitos, Greg Marinovich registrou uma foto que correu o mundo e ganhou o prêmio Pulitzer de Jornalismo

Soweto na África do Sul –  o então fotógrafo freelance Greg Marinovich caminha pelo acampamento de trabalhadores NaceField, quando percebe uma movimentação perto da estação de trem. Para a infelicidade de um Xhosa do partido CNA, ele se encontrou com adversários do partido Inkatha (IFP).

Durante a transição do regime ditatorial do Apartheid para a democracia, dois grupos políticos disputavam o poder. A briga entre os partidos gerou uma guerra entre negros no país, que durou cerca de 4 anos, até a eleição de Nelson Mandela (CNA) em 1994.

O primeiro partido era o Congresso Nacional Africano (CNA) e o Inkatha Freedom Party (IFP), o conflito se dava pelo fato de que os dois partidos também possuíam membros de diferentes etnias. O CNA era formado pelos Xhosas e o IFP pelos Zulus. Os dois grupos queriam o fim do Apartheid e a realização das eleições para presidente de forma democrática, mas os diferentes interesses de cada grupo acabaram levando para o conflito armado.

Marinovich que já trabalhava cobrindo os conflitos, porque era sul-africano, acabou por captar a execução de um Xhosa (CNA) pelo partido opositor do Inkatha. De acordo com os relatos do livro do Club Bang Bang,  Marinovich chegou a perguntar para os agressores, porque o xhosa estava sendo agredido: ‘Tem um xhosa escondido aí dentro, e ele está armado’, explicaram a Greg. Quando a porta cedeu, uma figura negra com olhos de medo e turbante na cabeça tentou furar o cerco. Na mão, tinha apenas uma vassoura.

A execução foi rápida. ‘Meus ouvidos registraram um som surdo de metal entrando em carne humana, seguido do tom oco de paus esmagando a ossatura do crânio’, lembra o fotógrafo. Atearam fogo ao homem logo depois, Marinovich flagrou o momento exato.

Marinovich descreve a experiência como se os fotógrafos fossem urubus Pisamos em cadáveres, metafórica e literalmente, e fizemos disso nosso ganha-pão. Mas nunca matamos ninguém. Acredito que salvamos algumas vidas. E talvez nossas fotos fizeram alguma diferença’, conclui Greg.

A fotografia de Soweto circulou o mundo e ganhou o prêmio Pulitzer de jornalismo. Marinovich também trabalhou como freelance com a Associated Press, Sygma, The European, Time, Newsweek, The New York Times e entre outros. Fez a cobertura de conflitos na Bósnia, Chechênia, Índia, Rússia, Ruanda, Israel e Palestina. Mais trabalhos do fotógrafo de guerra, você encontra na página oficial de Greg Marinovich.