Este não é um artigo sobre Magritte

Por Mitzi, | Categoria: Arte

Ce n'est pas un article sur Magritte

Este não é um artigo sobre Magritte. Ou talvez seja, mas você terá que ler esse texto para descobrir a resposta.

Provavelmente você já viu alguma das cinco obras de René Magritte (1898-1967) utilizadas nesse artigo, só não sabe ainda quais são seus nomes e significados. Mas não se preocupe! Ao final da leitura, você poderá identificá-las, saber quem foi esse pintor e um pouco mais sobre surrealismo.

René François Ghislain Magritte nasceu 21 de Novembro de 1898 na Bélgica, estudou artes na Académie Royale des Beaux-Arts em 1916, após se formar trabalhou com designer de cartazes por dez anos. Só descobriu sua paixão por pintura aos 28 anos, quando pintou seu primeiro quadro surrealista:

"Le jockey perdu”, 1926, por René Magritte

“Le jockey perdu”, 1926, por René Magritte

O movimento surrealista, do qual fez parte teve início na década de 20. Fortemente inspirado pela psicologia, surgiu com o propósito de ir contra o racionalista que vigorava na época, ou seja, era voltado para seu oposto: a criatividade, enfatizando o papel do inconsciente humano para a arte.

René, deu início a suas obras imitando a vanguarda do movimento, até a conhecer pintura metafísica de Giorgio de Chirico, que serviu de grande inspiração para suas obras, com isso o pintor passou a acrescentar uma linguagem mais poética aos seus quadros, obtendo uma identidade única. Magritte se tornou um dos principais pintores do movimento surrealista. Conheça algumas de suas obras:

Ceci n'est pas une pipe

Ceci n’est pas une pipe

Homenageado em 2014 no filme teen: “A culpa é das estrelas”, a obra apareceu na estampa da camisa da protagonista Rachel. O sarcasmo da obra de Magritte encontra-se no fato de haver um cachimbo pintado na imagem, porém esta é apenas uma representação do cachimbo, não um objeto em si. Não pode, por exemplo ser fumado. Desse modo, este não é um cachimbo, é apenas um instante congelado da imagem de um.

“Le fils de l'homme”, 1964, por Magritte

“Le fils de l’homme”, 1964, por Magritte

Muito antes de Steve Jobs colocar uma maçã na cabeça de todo mundo, Magritte já utilizava a fruta. Mas com um propósito diferente do de criar apenas desejos de consumo. Ao invés de usuários devotos, René utilizou a maçã-verde como elemento de mistério. Fazendo com que seu espectador anceiasse conhecer a face por trás da maçã, que nunca poderá ser observada, apenas imaginada.

“Le faux miroir”, 1928, por Magritte

“Le faux miroir”, 1928, por Magritte

Na obra “Le faux miroir” em português: “No espelho falso” Magritte pinta um olho humano superdimensionado, como se estivesse sendo visto por um microscópio. A crítica ao racionalismo parte da ideia de que ao observar um olho de perto, ao invés de proporcionar uma visão do que está dentro do homem, ou seja sua alma, o espelho falso acaba refletindo o que está fora dele, isto é, apenas o céu nublado.

“Rape”, 1934, por Magritte

“Rape”, 1934, por Magritte

Há também os quadros mais perturbadores como “Rape” – em português ‘Estupro’, no qual Magritte substituiu o rosto por um torso, deixando na “face” a expressão de espanto. Já a interpretação de quem está espantado a vítima ou o opressor por estar sendo observado durante o ato, cabe ao espectador.

Um pouco estranho? Talvez. Mas Magritte fez seu nome na história da arte justamente por causar desconforto às pessoas. Quadros comuns geralmente não causam algo extraordinário dentro de nós. Grandes pinturas, no entanto trazem esse enigma, que nos inquieta por sua vastidão de significados. Ou nas palavras do própeio autor: “L’esprit aime l’inconnu. Elle aime les images dont la signification est inconnue” (trad. “A mente ama o desconhecido. Ela adora imagens cujo significado é desconhecido”) – Magritte, 1932.