A burlesca extravaganza da arte Pin-up

Por Riven Melito, | Categoria: Sem categoria

Pin-ups são lindas, maravilhosas, exuberantes e charmosas. Mas não são vulgares, no, sir. A arte (podemos considerar arte? Creio fielmente que sim) pin-up hoje em dia se tornou um mercado estabelecido como qualquer outro do ramo artístico. Sim, ainda existem artistas criando peças pin-up até hoje, atrizes (e atores) se apresentando em peças burlescas pelo mundo todo, e isso ainda atrai um bom público, que acha mais fascinante essa sexualidade ingenuamente descoberta ou o atrevimento divertido da época, do que as meninas que ficam esfregando suas partes na tela da tevê o tempo todo nos dias de hoje.

Porém começo a viajar (pra variar). Vamos primeiro entender um pouco mais sobre o que é Pin-up, e daí resmungar como o mundo de hoje está perdido.

Poster de um antigo espetáculo burlesco.

Poster de um antigo espetáculo burlesco.

No final do século XIX, na Europa principalmente, surgiu o que era considerado o teatro burlesco (burlesque). O burlesco é um tipo de movimento artístico com o objetivo de satirizar e parodiar de forma livre outras expressões artísticas sérias da época. E não apenas no teatro, mas o burlesco se manifesta em todos os ramos, desde a pintura, literatura e outros, No teatro, se tornou bem comum, porque era o lugar perfeito para aqueles pequenos depravados da noite poderem se soltar e beber, fazer farra e se divertir enquanto garotas ( em geral, e  alguns garotos) atuavam e dançavam de maneira debochada e exótica. Muito álcool, fumaça de charutos e uma atitude extrovertida e alegre (quase sexual) criaram o tom do burlesco, que se espalhou até os Estados Unidos. E este foi o ponto de onde o Pin-up começou.

Como forma de propagandear os shows, as casas de espetáculo colocavam fotos e pôsteres das atrizes nas vitrines (to pin – fixar na parede, com um alfinete ou tachinha) e paredes. As atrizes então começaram a desenvolver personagens de seus atos, com fantasias exóticas e excitantes (para a época) e obviamente esta propaganda começou a adquirir contornos de sexualidade, sendo que tais fotos e cartões eram roubados, vendidos e ás vezes passados como uma espécie de pornografia leve (para nós, é leve. Na época, pagar peitinho mandava pro inferno), que foi explorado durante muitos anos.

Esse tom alegre e sensual é a marca principal do Pin-up, que se fixou nos Estados Unidos mais como publicidade e formas artísticas mais populares do que necessariamente como teatro e literatura. O mais comum era a venda de fotos de modelos (pin-up models) e cartões de coleção, e em anúncios  de revistas e etc. Algo como nossos pôsteres na parede da mecânica, se é que me entende.

O motivo para que esta forma estética seja tão aprazível e tenha se tornado tão interessante e difundida, a meu ver, seria porque não haviam pretensões elitistas em sua concepção. Entretenimento para as massas. Compre um cartão e coloque na parede quando for para a guerra, soldado. E como sabemos, se é popular, vende. E se for popular, e ainda tiver um pouco de sexo, Oh My Gosh,  é sucesso na certa, né?

Foto original burlesca de 1890.

Foto original burlesca de 1890.

 

Então entramos no mundo do Pin-up propriamente dito. Hoje temos livros, calendários, espetáculos e uma série de produtos voltados exclusivamente para este nicho. E muitas pessoas consomem, de alguma forma abraçando este estilo de vida, seja nas roupas, nas atitudes e comportamentos. Como uma forma de ver a vida, com aquele atrevimento que desperta interesse, sem se tornar banal ou vulgar.

Então quer dizer que ainda há um certo movimento pin-up rolando pelo mundo? Com certeza. Desde a metade do século 20, temos muita coisa acontecendo na área, e hoje em especial, com aquele sentimento nostálgico que não nos larga, aproveitamos para contra-argumentar o excesso de sexualidade na mídia dos dias de hoje, explicando que em 1950 não era preciso ser explícito para ser sensual. Não que eu tenha vivido em 1950, mas entendo o que querem dizer, tomando como exemplo um artista que para mim foi um dos maiores ilustradores de todos os tempos, e o melhor no quesito pin-up, Gil Elvgren.

 

pinup_elvgren_01

 

A primeira coisa que me chama a atenção (tá, serei sincero. A segunda) é o fato da cena ser cotidiana, quase como uma foto tirada de surpresa, que por um acaso possui esta certa sexualidade quase á mostra. Sim, existem fotos e imagens  Pin-ups muito mais sensuais, e até praticamente nuas, mas acho que essa sutileza desperta mais excitação do que as imagens mais descaradas. De qualquer forma, cada um, cada um.

Agora deixo vocês com mais algumas imagens, antigas e atuais, e recomendo que dêem uma procurada pela web por mais conhecimento. Pretendo no futuro fazer mais posts sobre este assunto, se houver interesse. E vá ao teatro (burlesco)!

 

Comum no século 20, atrizes de Hollywood fazerem progapanda pin-up. Aqui Betty Grable, uma das mais queridas.

Comum no século 20, atrizes de Hollywood fazerem progapanda pin-up. Aqui Betty Grable, uma das mais queridas.

 

Uma das pin-ups da época de ouro mais famosas do mundo, Bettie Page.

Uma das pin-ups da época de ouro mais famosas do mundo, Bettie Page.

 

Hoje até mesmo no mundo dos videogames a estética pin-up é aplicada. O jogo Fallout 4 se utliza de uma estética 1950 para ambientar um mundo pós-apocalíptico. Perfeito para pin-ups.

Hoje até mesmo no mundo dos videogames a estética pin-up é aplicada. O jogo Fallout 4 se utliza de uma estética 1950 para ambientar um mundo pós-apocalíptico. Perfeito para pin-ups.

 

Dita Von Teese, pin-up moderna, que apresenta espetáculo burlescos pelo mundo todo. Famosa pela cena onde toma banho em uma taça de martini gigante.

Dita Von Teese, pin-up moderna, que apresenta espetáculo burlescos pelo mundo todo. Famosa pela cena onde toma banho em uma taça de martini gigante.

 

 

Riven tem a arte como motivadora, a música como inspiração e o planejamento como instituição. Esta junção dos dois hemisférios do cérebro garantem uma abordagem diferenciada e eficiente na resolução de tarefas e problemas.