Bang bang Club: o quarteto que registrou o apartheid

Por diandra, | Categoria: Fotografia

Membros do Bang Bang Club ficaram mundialmente conhecidos pelos trabalhos realizados na África do Sul

 

África do Sul – 1948, o grupo político Partido Nacional sobe ao poder do governo sul-africano. Os partidários do PN eram em sua maioria africâneres, um grupo étnico descendentes de colonos calvinista provenientes da Alemanha, Holanda, França e outros países europeus.

Ao assumirem o poder, o governo iniciou a disseminação da cultura africâner, e impôs a pior ditadura de segregação racial a seus habitantes, um regime ditatorial que se estendeu por quatro décadas. O Apartheid, que significa ‘’separação’’, declarava que brancos e negros não podiam se casar, nem morar nos mesmos bairros ou ter as mesmas oportunidades, sejam elas sociais, morais, culturais ou políticas.

Apenas em 1990, a África do Sul iniciou sua transição do apartheid para um governo democrático. No tempo que compreende esse período até 1994, quatro fotógrafos começaram a trabalhar dentro dos bairros segregados da África do Sul, e elucidaram para o mundo, o registro de uma guerra civil contra o governo do Apartheid.

Os quatro fotógrafos formaram o conhecido Bang Bang Club, no entanto, não formavam um grupo de modo proposital, mas porque saiam juntos para fotografar por causa da segurança de circular entre os conflitos e não serem atingidos. Quem apelidou o grupo de tal forma foi um repórter que escreveu uma matéria sobre repórteres de guerra para a revista africana Living.

Os fotógrafos trabalhavam como freelancers e vendiam suas fotos para agências ao redor do mundo como a Reuters e a Associated Press, e para jornais mundialmente famosos como o The New York Times. Pelo fato de serem brancos em uma guerra de negros, eles conseguiam passar despercebidos pelas organizações e nos conflitos armados.

Devido a essa ‘’imunidade’’, os fotógrafos presenciaram assassinatos e torturas, e ganharam visibilidade diante da imprensa mundial, já que, na época, ninguém sabia das reais dimensões dos conflitos.

O trabalho dos fotógrafos rendeu um Pulitzer, prêmio para trabalhos em jornalismo, literatura e composição musical, para a série de fotografias de Greg Marinovich, o qual retratou um homem sendo queimado vivo em Soweto. E a conhecida fotografia de uma criança sendo espreitada por um urubu no Sudão, fez com que Kevin Carter, o responsável pela fotografia, ganhasse outro prêmio.

No entanto, a série de fotografias, principalmente a de Carter, que ocasionou revolta em todo o mundo, trouxe uma série de discussões sobre as responsabilidades éticas e morais da profissão de jornalista. E o grande questionamento entre fotografar um momento ou auxiliar quem precisa.

Criticado pela opinião pública, Kevin Carter explicou na época, que retratou a foto no momento em que a criança corria para o acampamento de refugiados e acabou caindo, também afirmou que tentou espantar o urubu várias vezes, mas ele sempre voltava.

Pressionado pelo acontecimento, e também por fatores como depressão e drogas, Kevin Carter cometeu suicídio em 1994.A trajetória dos quatro repórteres durante o apartheid também virou livro, ‘’Repórteres de Guerra’’ e posteriormente foi transformado em filme.