A fotografia de rua de Vivian Maier

Por Lucas Rufino, | Categoria: Fotografia

Autorretrato Vivian

Na literatura são vários os autores que obtiveram sucesso somente após o seu falecimento. Escritores como Franz Kafka, Herman Melville e a poeta Emily Dickinson hoje tem suas obras reconhecidas e objeto de diversos estudos, porém durante a vida não receberam muito reconhecimento do seu trabalho.

É verdade que eles divulgaram a sua arte, mas e se o autor nunca fez questão de publicar, como saber se o seu trabalho era bom?

Esse é o caso de Vivian Maier, que escolheu ser reconhecida pelas pessoas próximas como babá, invés de fotógrafa, e foi criadora de uma obra de enorme valor artístico e histórico e que hoje é colocada lado a lado com outros grandes fotógrafos como Diane Arbus e Walker Evans.

Pouco se sabe sobre Vivian. Filha de uma mãe francesa e um pai austríaco, ela nasceu nos Estados Unidos, mas passou a sua infância na França. Retornou para América e morou um tempo em Nova York, depois foi para Chicago onde residiu até o seu falecimento em 2009. Produziu anonimamente mais de 100 mil fotografias, além de diversos filmes em super 8 e 16 milímetros. Maier buscava registrar basicamente dois elementos: a arquitetura da cidades por onde passou e o cotidiano das pessoas que a habitavam.

E foi tirando fotos aparentemente banais que sua obra foi além, suas fotografias são um registro social das décadas de 50 e 60 das cidades de Chicago e Nova York. Estão ali as crianças brincando pelos parques, senhoras da alta classe nova iorquina elegantes desfilando os seus casacos, os trabalhadores e os moradores de rua além de inúmeros autorretratos. Maier não captou pelas suas lentes apenas os Estados Unidos ela viajou pelo mundo e fotografou cidades de outros continentes como Pequim, Bangkok, Bogotá, Montevidéu e cidades brasileiras no caso Rio de Janeiro, São Paulo e a Amazônia.

Reservada com relação a sua vida pessoal, ela mesmo revelava os seus filmes em um banheiro na casa dos seus patrões. Nunca nenhuma das famílias para as quais trabalhou viu alguma destas fotografias, mas sempre viam Viviam com alguma câmera. Consideravam a excêntrica por vestir-se diferente das mulheres de sua época e pelo seu inglês carregado de sotaque francês.

Suas fotografias começaram a ser descobertas em 2007, aposentada, Vivian foi morar em uma casa de repouso e guardou os seus pertences em diversos guarda-móveis. Com o passar do tempo ela deixou de pagar o aluguel desses espaços e após algumas notificações, parte de seus pertences foram leiloados para pagar essas dívidas.

Neste ano o corretor de imóveis e historiador John Maloof, que trabalhava como coautor de um livro sobre o bairro Portage Park de Chicago, na busca por materiais arrematou pelo preço de 400 doláres cerca de 30 mil negativos, algumas fotografias e 1600 rolos de filmes ainda não revelados. Inicialmente o material não serviu para o livro, mas a medida em que foi revelando esse material John ficou impressionado com a descoberta, mas ainda não sabia a autoria visto que não havia nenhum nome em todo o material.

Encantado com o material Maloof comprou mais negativos onde finalmente conseguiu uma pista sobre a autora das fotos, um envelope escrito Vivian Maier. Empolgado em encontrar a fotógrafa vasculhou a internet atrás de informações. Para divulgar o seu achado criou o blog (vivianmaier.blogspot.com) onde postou o material que havia comprado. Após diversas pesquisas, encontrou no ano de 2009 o obituário do jornal Chicago Tribune informando falecimento Vivian.

Ficou interessado em conhecer um pouco mais o trabalho desta fotógrafa? No Brasil foi lançado pela editora Autêntica o livro “Vivian Maier – Uma Fotógrafa de rua”, acesse o site www.vivianmaier.com e assista ao documentário “Finding Vivian Maier”.